Pesquise neste blog

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Precisamos desconstruir o conceito de família - Texto revisto e atualizado

A afirmação de que o cenário da violência doméstica é um desalento à crença na família que, em quatro paredes, se ama e se respeita não pretende excluir o afeto amoroso e incondicional. 


A intenção é ainda incluir uma outra realidade vigente nas famílias a coexistência de investimento afetivo e a ruptura de vínculos ao longo das gerações.


A violência doméstica aparece em todas as camadas sociais em diferentes momentos históricos, mas nas camadas populares ela se torna pública em virtude da denúncia e do decorrente acompanhamento ou intervenção dos órgãos públicos. 


As camadas altas da sociedade mantêm o anonimato e compram a discrição através dos atendimentos particulares, quando o fazem.


O tema violência doméstica é contundente em dois âmbitos principais, desde sua definição, em que os limites que vão do tapinha ao espancamento são controversos, até os parâmetros éticos e pedagógicos sobre castigos e punições físicas, que agregam pesquisadores de diferentes influências. 


Quiçá existam outras formas de se pensar a violência física que incluam ainda o entendimento do uso do corpo, esse corpo violento que usurpa o lugar do outro, mas que também tenta se aproximar do outro, marcar o outro e não apenas machucá-lo.
É preciso desconstruir o conceito e pesquisar a família, o que implica questionar fórmulas prontas de análise e descobrir as sutilezas dos discursos dos personagens que compõem os agrupamentos familiares. 


A atenção e o investimento de pesquisadores sobre as organizações familiares alertam para a prevenção do abandono de crianças, da institucionalização infantil e do rompimento de relações afetivas desgastadas, mas, na maior parte dos episódios verificados, passíveis de serem reconstruídas e trabalhadas.


A origem etimológica da palavra família denota conotações instigantes quanto às suas derivações sociais. Família, do vocábulo latino famulus, significa servo ou escravo, do que se entende que primitivamente a família era considerada um conjunto de servos ou criados de uma pessoa. 


Com a selvageria crescente do mundo dos negócios e da política, o homem procura refúgio na família; entretanto ela aparece gradativamente mais frágil e incapaz de acolher esse sujeito carente. 

A partir daí, a análise do ciclo de vida familiar permite acompanhar o movimento dos membros da família e as posições sociais que são ocupadas nesse processo.


As milhares de famílias sem terra, sem casa, sem trabalho, sem alimento enfrentam situações diárias que ameaçam não só seus corpos - território último do despossuído - mas, simultaneamente, seus vínculos e subjetividades.


Abordar a família, considerando as peculiaridades que o termo pressupõe, significa repensá-la na ordenação do passado, do presente e do futuro, numa perspectiva circular, estrutural, dialeticamente efetivada na relativização de parâmetros ditos universais. Por fim, nosso estudo qualifica a subjetividade e questões de cunho sociocultural e psicanalítico enquanto complementares na compreensão dos romances familiares.


Custom Search