A intenção é ainda incluir uma outra realidade vigente nas famílias a coexistência de investimento afetivo e a ruptura de vínculos ao longo das gerações.
A violência doméstica aparece em todas as camadas sociais em diferentes momentos históricos, mas nas camadas populares ela se torna pública em virtude da denúncia e do decorrente acompanhamento ou intervenção dos órgãos públicos.
As camadas altas da sociedade mantêm o anonimato e compram a discrição através dos atendimentos particulares, quando o fazem.
Quiçá existam outras formas de se pensar a violência física que incluam ainda o entendimento do uso do corpo, esse corpo violento que usurpa o lugar do outro, mas que também tenta se aproximar do outro, marcar o outro e não apenas machucá-lo.
A origem etimológica da palavra família denota conotações instigantes quanto às suas derivações sociais. Família, do vocábulo latino famulus, significa servo ou escravo, do que se entende que primitivamente a família era considerada um conjunto de servos ou criados de uma pessoa.
A partir daí, a análise do ciclo de vida familiar permite acompanhar o movimento dos membros da família e as posições sociais que são ocupadas nesse processo.
As milhares de famílias sem terra, sem casa, sem trabalho, sem alimento enfrentam situações diárias que ameaçam não só seus corpos - território último do despossuído - mas, simultaneamente, seus vínculos e subjetividades.
Abordar a família, considerando as peculiaridades que o termo pressupõe, significa repensá-la na ordenação do passado, do presente e do futuro, numa perspectiva circular, estrutural, dialeticamente efetivada na relativização de parâmetros ditos universais. Por fim, nosso estudo qualifica a subjetividade e questões de cunho sociocultural e psicanalítico enquanto complementares na compreensão dos romances familiares.
