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sábado, 10 de julho de 2010

A desvalorização da mulher - A mídia e a sociedade - Texto revisto e atualizado

Assim como o Hino Nacional, a bandeira verde e amarela, o futebol e o carnaval, a bunda tornou-se um símbolo nacional brasileiro, a partir de sua superexposição na mídia. Mas o que são símbolos? São signos representativos que variam de acordo com cada época, com a moldura política - econômica de uma nação e pela consciência coletiva, ou seja, tudo aquilo que representa algo por meio de um sinal, que pode ser uma imagem ou uma palavra.
 A constante visibilidade do corpo feminino, praticada cotidianamente nos diversos meios midiáticos, além de ser concebido como aspecto simbólico, que são tão influentes no comportamento e no imaginário do brasileiro, é, também, necessária para estabilizar um discurso social, neste caso, o discurso machista.

Aceitamos o culto à bunda como algo cultural, naturalizando suas “performances” (rebolado em festas e exposição nas praias, em piscinas, nas mídias impressas), seus vestuários e as músicas que enfatizam as nádegas.
Essa exaltação exacerbada é bem mais visível nas mídias eletrônicas, como a televisão, já que ela é um influente meio, que se aproveita de manifestações artísticas populares e as transforma em grandes espetáculos, através de imagens, estimulando os sentidos dos telespectadores.

O carnaval carioca de sambódromo, que já foi uma expressão coletiva e espontânea de diversão, hoje, passou a ser explorado pelas revistas, pelos jornais, pelo cinema e, essencialmente, pela TV, como algo a ser consumido pelas massas.
 Na década de 30, as autoridades municipais passaram a ser responsáveis pelos grupos carnavalescos e pelas escolas de samba. O carnaval foi, gradualmente, se convencionando num espetáculo. Nas apresentações atuais, é natural a aparição de mulheres totalmente ou parcialmente desnudas, o que provoca estranhamento aos olhos de estrangeiros que visitam o Brasil em épocas carnavalescas, com o intuito de conhecer uma realidade “liberal”.


Alguns especialistas afirmam que, biologicamente, os homens são mais instintivos e mais estimulados sexualmente pela visão. Muniz Sodré, em sua obra A Máquina de Narciso (1994:10), afirma que o olhar, desde a Antiguidade grega, tem um laço imaginário com a sexualidade. É na televisão que essa sexualidade é bastante explorada, pois esse meio audiovisual tem sua essência nas imagens, o que torna um forte instrumento sensibilizador.
Partindo dessa teoria, para muitos turistas, a prática do “turismo sexual”, ao qual eles são levados em função dessa “liberdade”, parece-lhes normal, o que contribui para a crescente prostituição, principalmente, de crianças e adolescente, nas cidades brasileiras.

A mídia tem grande importância na propagação de eventos culturais massificados. E não é só no caráter artístico, mas também na exploração do corpo feminino como parte essencial do espetáculo. Essa exploração é feita, por exemplo, em programações que exigem a presença da mulher de corpo malhado, como os programas de auditório (bailarinas), os concursos de beleza, as novelas, as revistas (femininas e masculinas), sites de ensaios sensuais,reality shows.

 Nessa exploração do exibicionismo feminino, os meios de comunicação percebem a eficácia desses programas na aquisição de valores simbólicos (para mulheres, a ânsia de ser aquele corpo tão visto na mídia; enquanto para os homens, o desejo sexual estimulado) e valores financeiros (lucro), e continuam propagando essa imagem de mulher.

Essa bundalização é estimulada pela supervalorização da mulher pós-moderna ainda como objeto sexual e de moda. Essa padronização da mulher na mídia, para estimular os desejos do homem, é cada vez mais explorada, e assim o ser humano mulher fica restrito à sua aparência.
A mulher não almeja ficar bonita para sua satisfação pessoal, mas sim para o outro (e outra) admirar. É uma maneira de conquistar homens, causar inveja nas mulheres e até mesmo como forma de obter benefícios materiais.

Mas para obter sucesso e, conseqüentemente, a audiência, esses programas não hesitam em tirar proveito dessa imagem depreciativa das mulheres. Permanece o velho chavão dito pelos produtores de televisão, principalmente da televisão brasileira: “dar ao público o que ele deseja”.

 É aí que pensamos se são os desejos dos telespectadores que estão postos na TV ou se a TV dita o que os telespectadores têm que desejar.

Não vamos nos deter nisso, pois nossa pesquisa é referente aos efeitos que a linguagem, fundamentalmente televisiva, causam na realidade brasileira. Independente da resposta, esse desejo é medido, quantitativamente, pelo IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública). A busca incansável para ser o número 1 deixa as questões éticas e morais em último plano.
E essa depreciação é esteticamente camuflada de tal forma que, os que não têm consciência crítica, não enxergam as mensagens “subliminares” presentes nos discursos midiáticos. E entendem que tudo o que é dito na mídia é certo. É a tal da “credibilidade”.

Há sempre a presença dos meios de comunicação, de mulheres e homens, incentivando esse tipo de representação social. Tais mulheres adotam os “personagens” criados para elas: vestem-se como o “personagem”, comportam-se como o “personagem”, falam como o “personagem”. Agem assim porque querem estar visíveis a qualquer preço. É o retrato da sociedade midiática que vivemos.
Dessa forma, as pessoas que são influenciadas por esses comportamentos assumem esses personagens não só para parecem com as celebridades e assim fazer “sucesso” no seu mundo real, como também para aparecerem na mídia e conquistarem seus 15 minutos de fama. É aí que observamos, mais uma vez, o poder que a mídia tem na vida social de pessoas comuns.

 A reprodução desses modelos continua generalizando as mulheres à categoria de “bunda arrebitada”.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

A agressão é uma doença. - Quem é o nosso inimigo? - Texto revisto e atualizado

A agressão é uma doença.

Quem é o agente causador dessa doença? Ou melhor, que é o inimigo que nós desejamos derrotar?

Muitas de nós vamos responder que o nosso inimigo é nosso parceiro violento. Porque é dele que queremos é precisamos nos livrar. 

Mas nos enganamos e as estatísticas mostram que a maioria de nós quando nos livramos de um agressor colocamos outro no lugar. 


Porque estamos condicionadas a funcionar como vitimas.

 Então nosso inimigo não é nosso agressor.
Muita de nós diria que nosso inimigo é o medo terrível, que sentimos quando estamos experenciando a violência. 


E verdade vive o medo intensamente, mas como qualquer outro medo humano, ele é natural e existe ai só mais um desafio a ser vencido. 


Nosso inimigo real são as nossas varias crenças que carregamos crença na nossa fragilidade, na nossa falta de merecimento do melhor, na nossa falta de poder diante da situação, na nossa visão de que não temos escolhas e muitas outras crenças restritivas que fecham as portas da solução do problema, para nós. 

Por isso a cura está em nos fortalecermos, em corrigir nossas crenças a fim de percebermos nosso poder, e ai sairmos do papel de vitima e treinarmos para sermos as protagonistas.
O que é isto? Protagonista é o papel que escolhemos e desenvolvemos. Não é natural. Segundo Rui Mesquita: “Protagonista é a concepção da pessoa como fonte de iniciativa, que é ação, como fonte de liberdade, que é opção, e como fonte de compromisso que é responsabilidade”.

Dessa forma nós vamos aprender fazendo, quando ocupamos nossa posição no centro do processo e induzimos as mudanças necessárias. 

Somente quando assumimos a nossa responsabilidade total pelo nosso bem estar, vencemos o medo e a violência. É isso me creiam só conseguiremos as que dentre nós buscar ajuda e perseverar nessa busca.
Temos que aprender a ler a discutir sobre nossos problemas com quem realmente entende, ao invés de ficar só lamuriando por esses problemas. 


Enfim quando ampliamos nossa visão sobre essa doença, sobre nossas relações e sobre nós mesmas, vamos encontrar os verdadeiros recursos e poder para nos fazer feliz.
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