Um profissional ambicioso, que passa por cima de todos para conquistar o sucesso, um executivo que maquia o balanço da empresa e inventa mentiras sobre os colegas, ou alguém que vive às custas dos outros – todos eles têm algo em comum: não possuem consciência, a característica mais fundamental dos seres humanos.
Os Psicopatas e Sociopatas tem uma vantagem em relação à maioria das pessoas. É que não tem consciência e por isso podem agir livremente sem receio do sentimento de culpa que atinge 96 por cento das pessoas. Isso dá a eles uma grande vantagem pois podem sem receio fazer intrigas, falsificar documentos e situações, e até matar sem que sintam pena ou remorso, ou ao menos tenham o sono atrapalhado. Em geral eles fazem essas coisas. Tem uma noção perfeita das leis sociais, e suas regras e as compreendem, mas utilizam seu QI em geral bem dotado para atingir seus objetivos sem serem de preferência descobertos. Sabem que são diferentes das outras pessoas e fingem ter consciência para se passarem despercebidos.
Muitas pessoas só descobrem que estão diante de um Psicopata, quando já é iminente a sua morte.
CARACTERÍSTICAS
Segundo a Associação Americana de Psiquiatria
1 – Incapacidade de adequação às normas sociais.
2 – Falta de sinceridade e tendência à manipulação.
3 – Impulsividade. Falta de planejamento prévio.
4 – Irritabilidade; agressividade.
5 – Permanente negligência com a própria segurança e a dos outros.
6 – Irresponsabilidade persistente.
7 – Ausência de remorso após magoar, maltratar ou roubar outra pessoa.
A combinação de três desses “sintomas” já é suficiente para levar muitos psiquiatras a considerarem o distúrbio.Outros pesquisadores e médicos chamam a atenção para outras características dos sociopatas dentro do grupo.
Um dos traços mais freqüentes observados são o desembaraço e um charme superficial que tornam o verdadeiro sociopata sedutor para algumas pessoas, figurativa ou literalmente – uma espécie de brilho ou carisma que, a princípio, pode fazê-lo mais encantador ou interessante do que a maioria dos indivíduos normais à sua volta. Ele é mais espontâneo, mais envolvente, de alguma forma mais “complexa”, sexy ou divertida do que qualquer outra pessoa. Às vezes esse carisma sociopático vem acompanhado de uma idéia exagerada do próprio valor que soa atraente de início, mas que, depois de um exame mais detalhado acaba parecendo estranho e até mesmo risível. (“Um dia o mundo vai perceber que sou especial” ou “Você sabe que, depois de mim , nenhum outro amante vai satisfazê-la”.)
Os Psicopatas tem necessidade de estímulo maior do que o normal, o que os leva a frequentemente correr riscos sociais, financeiros ou jurídicos. Costumam ser capazes de induzir outras pessoas a acompanha-los em empreitadas arriscadas e, como grupo, são conhecidos por mentir e enganar de modo exagerado e doentio, assim como estabelecer uma relação parasitária com seus “amigos”.
Independente de quão INSTRUÍDOS ou bem posicionados sejam na idade adulta podem apresentar um histórico de problemas comportamentais precoces, que as vezes inclui o uso de drogas ou episódios de delinquência juvenil e no qual a incapacidade de assumir responsabilidade por quaisquer erros tem presença garantida.
Os sociopatas destacam-se sobretudo pela superficialidade das emoções, pela natureza vazia e transitória de quaisquer sentimentos de afeto que possam alegar e por uma surpreendente insensibilidade. Não demonstram nenhum sinal de empatia ou interesse genuíno ou envolvimento emocional com um parceiro. Uma vez retirada a camada superficial de charme, seus casamentos sem amor são unilaterais e, quase sempre de curta duração. Se o sociopata valorizar minimamente o cônjuge é porque o vê como uma posse, e se perde-lo ficará furioso mas jamais triste ou culpado.
Todas essas características aliadas aos “SINTOMAS” listados pela Associação Americana de Psiquiatria são manifestações comportamentais do que para a maioria de nós é um distúrbio psicológico inimaginável: a ausência do nosso sétimo sentido, a consciência. Um transtorno louco e assustador para 4% da população.
Cerca de um em cada 25 indivíduos é sociopata, ou seja, não possui consciência. Não que esse grupo seja incapaz de distinguir entre o bem e o mal, mas essa distinção não limita seu comportamento. A diferença intelectual entre o certo e o errado não soa um alarme emocional nem desperta o medo de Deus como acontece com o restante de nós. Sem o menor sinal de culpa ou remorso, uma em cada 25 pessoas pode fazer absolutamente qualquer coisa.
A grande incidência de sociopatia exerce um grande impacto em toda a sociedade, mesmo em quem não sofreu trauma psicológico. Os indivíduos que compõem esses quatro por cento sugam nossos relacionamentos, nossas contas bancárias, nossas conquistas, nossa auto-estima e até nossa paz.
Surpreendentemente porém, muitas pessoas não sabem nada sobre esses transtornos ou, quando sabem, pensam apenas em termos de psicopatia violenta – homicidas, serial killers, genocidas -, em indivíduos, que de forma óbvia violam a lei diversas vezes e que , se forem pegos, serão encarcerados e, em alguns países até mesmo condenados à morte. Em geral, não identificamos nem tomamos conhecimento do grande número de sociopatas não violentos que nos cercam. Esses criminosos muitas vezes não agem abertamente e o sistema jurídico oferece pouca proteção contra eles.
Robert Hare, professor de psicologia da Britsh Columbia University, desenvolveu a Pysichopathy Checklist ( Uma escala para verificação da da psicopatia), hoje aceita como instrumento-padrão de diagnóstico para pesquisadores e médicos em todo o mundo. Sobre os sociopatas, Hare um cientista frio, escreve: “Todos, inclusive os especialistas, podem ser enredados, manipulados, enganados e desnorteados por eles. Um bom psicopata pode tocar um concerto nas cordas do coração de qualquer um... Nossa melhor defesa é entender a natureza desses predadores humanos.”
Hervey Cleckley, autor do texto clássico de 1941, The mask of Sanity (A máscara da Sanidade), faz a seguinte declaração sobre os psicopatas: “Beleza e feiúra, salvo em sentido muito superficial, bondade, maldade, amor, horror e humor não tem nenhum significado real, não são capazes de comovê-los.”
Esperamos que esses escritos contribuam para em alguma medida limitar o impacto destrutivo dos sociopatas em nossas vidas. Os indivíduos dotados de consciência podem aprender a identificar “o vizinho sociopata” e, com esse conhecimento, tentar neutralizar suas intenções egoístas. Na pior das hipóteses, seremos capazes de proteger a nós mesmos e nossos entes queridos das manobras descaradas dessas pessoas.
Essas características nos levam de volta à pergunta. Será a falta de consciência um distúrbio mental ou uma condição adaptativa? Uma definição funcional de distúrbio mental é a que o descreve como qualquer problema psicológico que cause substancial “perturbação à vida normal”, ou seja, limitações graves e incomuns na capacidade de um indivíduo de atuar de acordo com o esperado, dado seu estado de saúde e nível de inteligência. A verdade nos diz que qualquer um dos distúrbios mentais identificáveis – depressão grave, ansiedade crônica, paranoia etc. – É capaz de causar uma deplorável perturbação à vida. E quanto à ausência de algo que em geral consideramos um traço estritamente moral, a consciência? Sabemos que os sociopatas quase nunca procuram tratamento, mas será que ainda assim eles sofrem de “perturbação à vida”?
Uma forma de abordar isso é saber o que é importante para um sociopata – vencer e dominar – e depois sobre a estranha pergunta a seguir: Porque eles não ocupam, todos, posições de grande poder? Devido a sua motivação focalizada e por serem dotados de liberdade de ação resultante da falta de consciência, todos os sociopatas deveriam ser formidáveis líderes de nações, presidentes de empresas multinacionais ou, no mínimo, profissionais de primeira linha ou ditadores de países pequenos. Porque eles não vencem o tempo todo?
Porque não. Em vez disso, em sua maioria, são indivíduos obscuros, limitados a dominar os filhos pequenos ou um cônjuge deprimido, ou talvez algum funcionário ou colegas de trabalho. Não são poucos os que estão presos, ou correm o risco de perder a carreira ou a vida. Pouquíssimos são os ricos. Menos ainda se tornam famosos. Sem ter marcado significativamente sua passagem pelo mundo, a maioria encontra-se em um curso descendente e, por volta da meia idade, terão se apagado por completo. Por um tempo podem roubar e atormentar os que o cercam mas a verdade é que levam uma vida fracassada.
Do ponto de vista de um psicólogo, mesmo os que ocupam posições de prestígio e ostentam nomes célebres levam uma vida fracassada.
Para a maioria de nós, a felicidade surge em decorrência da capacidade de amar, de levar a vida segundo os nossos valores mais nobres (na maior parte do tempo) e de nos sentirmos satisfeitos com nós mesmos. Os sociopatas são incapazes de amar, não possuem, por definição, valores nobres e quase nunca se sentem bem consigo mesmos. Não amam, são amorais e cronicamente entediados. Mesmo os que se tornam ricos e poderosos.
E sentem-se mal por outros motivos além do tédio. O absoluto autocentrismo da sociopatia cria uma consciência individual que está alerta a qualquer dor e mal estar físico, ao menor desconforto na cabeça e no peito, e os ouvidos estão sempre antenados e preocupados com todos os relatos transmitidos pelo rádio e TV a respeito de tudo, de percevejos a venenos letais. Com essas preocupações e fixação se encontram voltados exclusivamente para si mesmos. O indivíduo desprovido de consciência às vezes vive atormentado por reações hipocondríacas que fazem até o pior dos neuróticos parecer racional. Um corte nos dedos se transforma em tragédia e uma crise de herpes é a quase morte.
Talvez o exemplo histórico mais famoso da obsessão sociopática com o próprio corpo seja Adof Hitler, um hipocondríaco contumaz que nutria um medo insuportável de desenvolver câncer. Na tentativa de evitar a doença e de curar uma outra longa lista de mazelas imaginárias ele se enchia de “remédios” cujas fórmulas eram elaboradas pelo seu clínico preferido o Dr. Theodore Morell. Muitos desses comprimidos continham toxinas alucinógenas. Dessa forma, envenenando-se aos poucos, Hitler de fato adoeceu. É bem possível que, em decorrência disso, um tremor real em sua mão esquerda tenha se tornado aparente.
Os sociopatas as vezes usam sua hipocondria como estratégia para evitar o trabalho. Em um momento estão ótimos, mas basta chegar a hora de pagar as contas, procurar emprego ou ajudar com a mudança de um amigo, para de repente sentirem dores no peito ou começarem a mancar. Preocupações médicas e doenças imaginarias em geral garantem um tratamento especial como ocupar a ultima cadeira em uma sala lotada.
Quase sempre existe uma aversão a projetos de trabalho ou a esforço contínuo.
Quase sempre existe uma aversão a projetos de trabalho ou a esforço contínuo. É claro que essa predileção pela facilidade é extremamente auto limitante ao sucesso no mundo real. Acham que a maquinação fácil é a grande tacada ou a “armação” inteligente valem mais do que o comprometimento diário com um emprego, um objetivo de longo prazo ou mesmo um projeto.
Ainda que ocupem cargos de grande importância, essas posições costumam ser aquelas em que o volume de trabalho pesado que é feito (ou não), pode fácilmente passar desapercebido, ou nos quais é possível manipular outras pessoas, de modo que elas cumpram as tarefas. Em cenários assim, um sociopata esperto às vezes consegue manter as coisas funcionando com um eventual desempenho notável ou agindo de forma sociável sedutora ou intimidante. O indivíduo finge ser o supervisor ausente, o "mandachuva", ou o inestimável "gênio nervoso". Pede férias com frequência ou períodos sabáticos durante os quais suas atividades são meio misteriosas.
O trabalho constante, é verdadeira chave para o sucesso duradouro- meter a mão na massa, suportar o tédio, checar os detalhes- se assemelha muito à responsabilidade. Infelizmente esse mesmo fator auto limitante costuma estar presente até mesmo entre os sociopatas que nascem com dons e talentos especiais. O compromisso profundo e o esforço diário necessários a promover e desenvolver a arte, a música ou qualquer outro projeto criativo e, quase sempre, impossível para um sociopata.
Se o sucesso fortuito puder ser alcançado com uma contribuição ocasional, quem sabe? Mas se a arte exigir um investimento pessoal prolongado, nada feito. No final um indivíduo sem consciência tem com seus talentos e dons o mesmo relacionamento que mantém com as outras pessoas, ou seja não cuida deles.
A falência emocional da psicopatia significa que a pessoa será para sempre privada de uma inteligência emocional autêntica, da capacidade de entender como funcionam os seres humanos o que é um guia insubstituível para a vida. O indivíduo sem consciência costuma ter uma visão curta e ser surpreendentemente ingênuo. Por isso acaba morrendo de tédio, levando um tiro na cabeça ou indo à falência.
O que as pessoas que têm consciência podem fazer com relação às que não tem?