Eu nunca vou conseguir... De um jeito ou de outro, nem adianta tentar... Isso não vai funcionar... Eu nunca tenho sorte... A culpa é toda minha... Estou decepcionando todo mundo com esse meu problema... Outras talvez consigam, mas eu não, não tenho forças suficientes, coragem, vontade etc.
A violência doméstica é frequentemente associada ás idéias negativas, pessimistas, de menosprezo consigo e com os outros. Tais idéias adquirem uma feição tão automática que nós nem percebemos mais em que medida elas representam a expressão da nossa experiência ou uma verdade objetiva.
Sabemos que o simples fato de ficarmos nos repetindo tais frases já alimenta uma depressão muito forte.
Não se trata aqui de entrarmos em uma guerra contra nossos sentimentos de impotência, mas sim de uma verdadeira mudança de atitude. Mas até que ponto se pode mudar verdadeiramente uma vida? Nos reaproximar tanto quanto possível de nossos valores mais profundos.
Que tal nos perguntar verdadeiramente: Quem sou de verdade? E Em que direção eu tenho vontade de ir?
São perguntas cruciais para mudarmos o rumo de nossa historia...
Para nos reorientar nosso caminho de vida e nossos objetivos, elas não nos deixam perdermos o foco nem nos piores momentos... Hoje eu me concentro inteiramente na construção de um Eu poderoso...
Quanto mais perco o medo das respostas mais me sinto ligada aos meus objetivos primordiais, e mais liberta me sinto dos efeitos permanentes que toda a violência que sofri deixou entranhada em minha vida...
Antes eu era uma pessoa que procurava seguir as regras, queria ser aceita, queria ser reconhecida e amada, queria antes de tudo agradar a todo mundo... Acho que agora eu me sinto mais a vontade com meu lugar no mundo, sem a menor necessidade de ser boazinha, ou de agradar a qualquer pessoa que não seja eu mesma em primeiro lugar...
Descobri um verdadeiro prazer em fazer escolhas que antes me aterrorizavam e mesmo em dizer não. Alias antes para mim era uma agonia dizer “não”, agora eu consigo dizer sem culpa, sem medo, sem peso: “não, hoje isso não me convém”...
Não sinto culpa de que minhas escolhas não satisfaz as expectativas dos outros, são minhas escolhas, elas devem antes de mais nada satisfazerem as minhas expectativas.
Aprendi a não evitar os problemas mas enfrentá-los de frente sempre que me sentir forte o suficiente para encará-los... E ter a humildade de saber que ainda existe coisas em minha vida que não consigo encarar....


