Se a ordem natural pede que a corrente flua livre e gere prazer, por que nós nos prendemos tão fortemente á negatividade e á dor?
Por que é tão difícil abandonar a dor?
Por que tantas pessoas sofrem? A maioria de nós fica chocada com a idéia de que prefere a dor ao prazer. Mas existem várias razões para nos agarrarmos as nossas dores.
Criamos a dor brecando o fluxo de sentimentos positivos e negativos. Sentimentos de amor e expansividade podem ser bloqueados, assim como sentimentos de rancor, medo ou desejo de vingança.
Uma parte de nós quer o prazer, mas outra parte não quer saber desses bons sentimentos. A parte que inibe os sentimentos de prazer é inconsciente.
Mas exprimimos de varias maneiras essa convicção: “Não quero ajuda. Não quero sentir prazer. Quero ficar com a minha dor” Preferimos a dor, porque é segura e conhecida. Há segurança nela. É a dor que nos da um senso de limite.
Rebelamo-nos contra a dor, mas continuamos sentindo que a merecemos. È o preço que pagamos por outras coisas, por “benefícios” que vêm da dor. Agarramo-nos a dor para fazer com que os outros cuidem delas, para atrair simpatia e atenção. Ou então para punir o outro. Sentimos um prazer secreto em nos vingar do outro, por aquilo que nos falta. Na maioria das vezes não percebemos esse desejo, mas não tenha duvidas que ele esteja lá.
Nossas defesas são construídas em torno de uma fixação negativa, que engendra inveja, ódio e competitividade. O núcleo dessas atitudes é naturalmente a culpa. Para a maioria de nós experimentarmos prazer total é amedrontador.
Porque estamos ajustados a experiências negativas e a excitação negativa. Enquanto existir motivos impuros, trapaça, defesas, culpa e malicia, o princípio do prazer será rejeitado por nós.
Além disso, desde a infância é implantado em nós a idéia de que o prazer em si é insuportável. O nosso problema peculiar não é a nossa falta de vontade de experimentar privações e sofrimentos, é que sentimos que não merecemos o prazer.
O remédio para a dor, então é sentir prazer. Mas isso é difícil. Mesmo que o prazer esteja ali, não nos sentimos merecedores de nos beneficiar dele.
Todos nós temos inúmeras oportunidades de sucesso e de dar passos importantes na vida. Mas até que o não-merecimento seja resolvido não pode haver movimento. Podemos arrumar muitas justificativas e racionalizações para o fracasso, mas o problema está na falta de predisposição para sentir prazer, na fixação na dor.
Além de todas as outras dores, todos nós sofremos em maior ou menor grau da dor da culpa. Essa dor é o nosso não reconhecimento da verdade. A verdade é que nós fizemos alguma coisa que não achamos ser a certa para nós. Essa culpa é real. Mas geralmente, exageramos e ainda somamos a muitas outras culpas presentes.
Muitas vezes usamos nossas culpas antiga como defesa contra as nossas atuais culpas. “Meu pai me rejeitou... Minha mãe era horrível, e assim vai...” Enquanto isso tomamos decisões que nos agridem. Evitamos encarar as atitudes destrutivas e fazer restituições.
Por que nos agarramos à culpa antiga? O estamos encobrindo?





