Pesquise neste blog

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Assalto identitário: Eu era bonita e veja agora... - Texto revisto e atualizado


Assalto identitário: Eu era bonita e veja agora... Eu sabia me comunicar agora me calei... Fico esperando que o outro devolva o que perdi. Os espelhos nos quais me se vejo são partidos, não só os dentes e o corpo, mas também a alma.

Como resolver esse impasse? Hoje tenho a real consciência de tudo o que perdi de tudo o que poderia ter tido, com minha capacidade e não tive, por causa da violência, por causa do medo, do verdadeiro terror em que se transformou a minha vida por mais de vinte anos. 

Ter essa consciência não minimiza os fatos, muito pelo contrario os amplia, a uma proporção gigantesca, as feridas não cicatrizam como muitos que tem uma visão simplista da situação imagina. Ao contrario elas sangram de forma continua. 

Porque se antes eu não tinha consciência do que me acontecia, hoje eu tenho e sei que foi tudo de uma crueldade, milimetricamente planejada, para me deixar sem ação, sem chão, para destruir a mim e aos meus filhos.

Ouve uma verdadeira transformação em minha vida, não resta à menor duvida que ela foi para melhor, para muito melhor. Mas as coisas não param por ai, eu ainda sou uma pessoa avariada com toda a certeza. 

Os prejuízos foram muitos e alguns tenho certeza que não conseguirei reaver, mas outros tenho procurado de uma forma ou de outra me ressarcir. Porque sei que sou eu que tenho que sair em busca do que quero, do que perdi, e talvez ainda consiga recuperar, não é uma tarefa fácil, nem suave. 

Procuro fazer com seja mais leve do que a fase das perdas, porque sei que sou eu a única responsável por isso, meus filhos e eu já perdemos demais, já fomos por demais discriminados, humilhados, retaliados, entendemos a necessidade de nos poupar um pouco.

Quando há treze anos eu disse não aos abusos que sofríamos começou outro tipo de abuso muito mais grave.

Começou a campanha para minha desmoralização junto aos meus filhos. Começou a campanha para tirar aos meus filhos de mim, não porque ao lado dele fosse melhor, ou porque ele os amava muito, mais para se vingar por eu não aceitar mais ser espancada, humilhada, e trabalhar e sustentá-lo. 

Um a um foi assim que meus filhos foram tirados de mim, eles não vieram para uma vida melhor, apesar de o pai ter uma condição financeira bastante confortável, isso nunca foi revertido a eles. 

Eles foram jogados da mesma forma que se joga porcos em um chiqueiro, jogados literalmente, em uma casa de adobe, com três cômodos apenas, de telha Eternit, com a fossa a céu aberto, onde ficavam sozinhos e sem dinheiro, sem ter o que comer direito por semanas a fio, enquanto o pai deles estava viajando para alguma praia do nordeste, curtindo a vida, ou em alguma pescaria do pantanal.

Meu filho caçula outro dia me confessou que por muitos anos dormiu sozinho em casa, chorando. Quando fiz uma denuncia no conselho tutelar, de Rondonópolis do distrito de Vila Operaria a Conselheira Cida, me disse por telefone, que eu era louca, que tinha feito uma visita até onde estavam meus filhos, e que realmente a “casa” parecia meio bagunçada, mais o pai das crianças tinha tanto “carinho e amor” por eles que valia a pena. Depois soube pelos meus filhos que essa senhora não teve nem o cuidado básico de falar com eles sozinho, sem a presença do pai ou da esposa que estava com ele no momento. E por isso que falo tanto na capacitação de profissionais para lidar com a violência doméstica.

Não pense alguém que vai encontrar algum sinal de humanidade em um psicopata, que a isso é inexistente neles. 

Só o fato de colocar meus filhos em uma situação dessas não estava bom, ele tinha meios de piorar ainda mais a situação e assim anular a auto-estima das crianças, e nunca relutou em fazê-lo.
Juntar nossos cacos foi muito dolorosos mas milagrosamente temos conseguido.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Há algo de errado com os homens? Ou com a educação que damos a eles? - Texto revisto e atualizado

Esse é um post que deveria ser lido por todas nós mulheres, não deixem de ler e pensar o que posso fazer?

Poderíamos pensar que há algo de errado com os homens… Será? Descartando, por ora, aqueles que são mais ignorantes ou provenientes de culturas que reduzem a importância do feminino, nos deteremos naqueles que possuem educação cultural e meios favoráveis para um comportamento menos machista e opressor com as mulheres.

Porém, não se furtam de serem cúmplices do turismo sexual do terceiro mundo, de pertencerem a redes internacionais de pedofilia e de perpetrarem de forma oculta aquilo que já não podem fazer às claras.

Donos dos meios de produção, pertencentes à elite branca e dominante, tais homens perceberam, há muito, que existem formas sutis de burlar as regras às quais estão submetidos para poderem dar vazão ao primitivismo que resiste ainda dentro de si.

A primeira e mais evidente se dá no território da prostituição. Ela prospera a passos largos no mundo inteiro. Clientes cada vez mais fiéis e assíduos utilizam-na como forma de exercer menos a sexualidade do que uma relação de poder onde, sob a mediação do dinheiro, se tem a mulher que se quer e da forma mais conveniente. A manutenção da indústria da prostituição tem como princípio a miséria de mulheres e meninas nas regiões mais vulneráveis do planeta e a demanda sempre crescente por esse serviço.

Não somos contrários à decisão de uma mulher adulta usar o seu corpo da forma como mais lhe convier, e isso pode incluir o ato sexual mediante remuneração. Contudo, preocupa-nos que esse homem descrito anteriormente está sempre ávido por “carne nova” e, ao que parece cada vez mais jovem. Para isso não hesita em aproveitar-se da indigência financeira e moral que acomete alguns países do terceiro mundo, cujo comércio de escravas sexuais movimenta altas somas financeiras e destroem a vida de adolescentes e crianças, vítimas das mais cruéis situações de maus-tratos e violência.

Nas grandes empresas, esse mesmo homem aprendeu a valer-se da mão-de-obra feminina. Farta e abundante está sempre disposta a dar o melhor de si no ambiente laboral, visto que o fantasma de suas avós, dependentes e oprimidas, ainda se faz presente em uma mulher que hoje em dia coloca a carreira em pé de igualdade com o desejo de casar e ter filhos.  E por que seriam excludentes ambas as coisas? Infelizmente as pioneiras da década de 50 a 70 pagaram um alto preço pela sua independência. Eram vistas como condenadas a ser pouco atraentes e frustradas no campo amoroso, em troca de ascensão profissional.

É algo que a mulher contemporânea já não aceita. E, graças a isso, temos as famosas duplas, triplas e quádruplas jornadas da mulher. Acorda cedo, trabalha o dia todo, dá atenção à cria e de noite é esposa atenciosa e uma amante ardente para o seu marido que, por ser homem, não precisa provar muita coisa, já que, historicamente, esse sempre teve valor em si e, de certa forma, ainda mantém essa premissa interiorizada. 

Nas classes populares percebe-se a incidência cada vez maior de um matriarcado estabelecido a partir de condições sociais que destacam uma situação favorável ao trabalho feminino, em contraste ao masculino. Mulheres da periferia obtêm renda como manicures, cozinheiras, costureiras, babás, faxineiras, ou, na pior das hipóteses prostitutas - trabalhos tradicionalmente associados ao feminino.

Os homens nessas mesmas condições percebem a sua capacidade tradicional de trabalho diminuída no que se refere às atividades mais tradicionalmente ligadas ao masculino, seja por terem que dividi-las com as mulheres, seja pela perda de postos de trabalho ou exigências cada vez maiores de qualificação para ocupá-las. Assim não são raros os homens ociosos, alcoolistas e, muitas vezes, violentos com suas mulheres – aquelas mesmas que arcam com o orçamento familiar, custos de criação dos filhos e que, não raro, sofrem com a violência e desprezo masculino, que insiste em negar-lhes o valor merecido.

 A violência doméstica é a causa de uma a cada cinco faltas de mulheres ao trabalho. É uma premissa comum no universo do liberalismo econômico o de capitalizar as revoluções a fim de domesticá-las e inseri-las em um contexto lucrativo e palatável.

E a revolução feminina das últimas décadas parece não fugir a essa mesma regra. Tendo adquirido o direito a uma sexualidade livre, a mulher ainda continua a sofrer com estigmas morais e a perder o seu valor com o declínio da beleza e da juventude. Tendo conseguido ascender ao mercado de trabalho, sofre explorações, assédios e humilhações. Isso se reflete na vida pessoal, tornando-a estressante e sofrida, o que acarreta em moléstias que vão da depressão, ausência de libido até moléstias cardíacas - que incidem de forma cada vez mais preocupante no universo feminino.

Tais exemplos sugerem que talvez a mulher pós-feminista tenha tornado-se um bom negócio comercial, sexual e laboral. O que poderia ter dado errado em décadas de lutas feministas então?

Talvez Camille Paglia tenha algumas respostas. Ela denuncia o feminismo xiita e politicamente correto dos anos 70, que tentou anular algumas premissas básicas em relação á estruturação subjetiva daquilo que nomeamos como o “feminino”, criticando violentamente a geração de Betty Friedan e o feminismo militante que anulava as diferenças entre os sexos. Palavras de Camille na Folha de São Paulo do dia 27 de março de 2006: “No começo dos anos 90 eu declarei guerra contra o stalinismo do politicamente correto no estabelecimento feminista. Isso causou controvérsia, especialmente minha defesa da pornografia e das revistas de moda. Mas, graças à Madonna, minha ala do feminismo ganhou a batalha. Ela influenciou uma geração de mulheres que abraçou novamente o sexo e a beleza.”.

Afora os deslumbramentos de Miss Paglia, Madonna certamente é um ícone da modernidade, que fornece algumas pistas para o entendimento das benesses e das armadilhas em que as mulheres se vêem envolvidas atualmente, na ânsia de buscarem o absoluto, que é reservado a poucas (e poucos).

Modelo por modelo, ao invés da apolínea pop star norte-americana, optamos pela nossa dionisíaca Leila Diniz que, na década de 60, já previa a multiplicidade de formas e contradições do feminino, que cada vez mais se pronunciam nesse milênio, só que de uma forma mais fluídica e prazerosa.

Desobrigada da perfeição estética e da produção maquinal de gozos, Leila era subversiva sem ser patrulhadora, amante sem acrobacias, maternal sem culpas, trabalhadora consciente de seu valor, sedutora sem ser manipuladora, enfim, essa foi à imagem quase arquetípica que dela ficou.

Nunca a mulher desfrutou de tanta liberdade como hoje, em certos agrupamentos sociais. E o avanço da condição feminina só acrescenta, ao universo masculino, a companhia de uma mulher mais plena

Está convencida de que o avanço da condição feminina só acrescenta benesses ao universo masculino, que, ao longo das últimas décadas, desfruta da companhia de uma mulher mais plena e companheira. Nunca ela desfrutou de tanta liberdade em certos agrupamentos sociais como nos dias de hoje.

Infelizmente, ecos medievais ainda subsistem nos corações e mentes. Até mesmo nos daqueles que, aparentemente, se apresentam como os mais evoluídos, sendo que ainda estamos longe do ideal de igualdade entre os gêneros, visto que basta a experiência de uma guerra para que o nosso verniz civilizatório venha por água abaixo.

Mudar a mentalidade masculina torna-se um imperativo para que possamos reduzir comportamentos agressivos e misóginos no mundo atual. Para isso, entendemos ser necessário uma conscientização feminina no sentido de que as mulheres assumam a sua parcela de culpa na transmissão de inúmeros preconceitos.

Principalmente, na educação das crianças, da qual ainda são as grandes responsáveis direta, como mães e indiretamente como educadoras, visto que a quase totalidade desse ramo profissional, mais incisivamente na América Latina, se constitui de mulheres que, não raro, educam meninos e meninas sob as regras mais conservadoras possíveis - fato que, na maioria dos casos, não lhes é consciente.

Temos esperanças de que as reivindicações e lutas em prol de uma sociedade menos sexista e injusta frutifiquem nas próximas décadas. Mas para que isso se cumpra, ainda há muitas lutas a empreender. Recordemos, por exemplo, que somente com o novo Código Civil, que passou a valer a partir de 2003, o homem deixou de ser considerado como a “cabeça do casal”, bem como foram suprimidos outros arcaísmos humilhantes tal como o bizarro conceito de “mulher honesta”.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O preconceito social contra o nosso corpo feminino...


Beleza é artigo de primeira necessidade. Mas por ela você pagará um alto preço!

E quais os padrões de beleza da contemporaneidade? Seco, sarado e, definitivamente, magro! Nas palavras de Carla Reston (modelo de 21 anos que faleceu em dezembro de 2006 de anorexia), "vovó eu prefiro morrer a ser gorda". Mas esta fala não é única: "eu sei que vou morrer, mas até lá eu vivo magra", "quando me olho no espelho, não saio de casa".

Não à toa o termo empregado é 'malhar' - malha-se como se malha o ferro, marca-se o corpo numa busca que, muitas vezes, escapa dos limites do humano, ignora-se o biótipo brasileiro em busca de uma androginia que praticamente anula as características femininas. Também não é acidental que a gíria usada seja 'sarado' -, o que, em realidade quer dizer curado. Mas 'curado' de que? 

Curado de si mesmo pensamos ser a mensagem subjacente ou ainda, curado da grande fobia social - ser gordo numa cultura lipofóbica!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Violência doméstica - Abusos psicológicos


A violência psicológica, que não acontece apenas no ambiente doméstico sendo que esta, por ser continuada no tempo, até mesmo sem ser identificada pela vítima, é a forma de abuso mais difícil de ser identificada, porque não deixa marcas evidentes no corpo (exceto talvez, uma postura corporal). A agressão psicológica pode ficar camuflada em doenças alérgicas e auto-imunes.

Ela é comumente camuflada pela sutileza das relações intra-familiares, mas causa sofrimento e conduz a mulher às alterações de comportamento, postura corporal e/ou reações psicossomáticas. Ainda o fato de esta mulher, acossada, diminuída em sua auto-estima, repassar aos filhos, o amargor, mesmo que involuntária e inconscientemente levando à perpetuação, igualmente perversa ao criar modelo deste tipo de violência na vida adulta dos filhos.
Custom Search