Na juventude somos aprendizes, como amadores na vida. Na
maturidade devíamos ser bons profissionais do viver: lúcidas e ainda otimistas,
mas serenas, de uma beleza diferente, produtivas e competentes.
Mas já me disseram que passada certa fase não posso mais
mudar de rumo, de casa, de roupa, de lugar. Mesmo na pior relação, nem pensar
em me separar, em me apaixonar (ainda que eu seja livre), em ter uma boa vida
sexual (ainda que eu seja saudável).
Não temos escolhas, se passamos de “certa idade”? Com o
passar do tempo, efetivamente passa o “nosso tempo”?
A escolha é nossa, de cada um de nós. Temos escolhas, mas
somos inseguras. Podemos mudar, mas não acreditamos nisso. Boa parte dessa
hesitação vem de fora, de palpites alheios, de propósitos superficiais, de
modelos tolos.
Viver e ser feliz não deveria ser assim tão complicado,
reclamou alguém. E por que a gente não simplifica ao menos o que pode
descomplicar?
Amadurecer deveria ser requintar-se na busca da
simplicidade.
Tento desvelar a face trevosa, de perversidade, de
autodestruição, de acúmulo de raivas e ressentimentos que há no ser humano. Mas
não acredito que ele seja principalmente isso. Gosto de gente. Sou solidária
com as pessoas.
Quem não me conhece e julga por meus blogs, acredita que eu
seja um ser distante e sombrio, engana-se: vive em mim uma incorrigível
otimista que acredita em ser feliz. Em renovação, em superação, em sobrevivência
– não como resto e destroço, mas como um ser a cada fase inteira.
Acredito que viver é elaborar e criar: são inevitáveis as
fatalidades, doença e morte. O resto – que é todo o vasto interior e exterior –
eu mesma construo. Sou dona do meu destino.
É mais cômodo queixar-se da sorte em lugar de rever minhas
escolhas e melhorar meus projetos.
Como posso ser otimista se minha mãe não me ama, meu marido me espanca,
possuo pouco dinheiro, meus filhos não encontram seus caminhos... se minhas
mãos estão manchadas e meus seios flácidos, meu pescoço enrugado?
A gente consegue.
Não necessariamente com novas técnicas sexuais, não com
objetos de grife, não no clube da moda ou na praia mais sofisticada: é aqui que
aprendo isso. No silencio de minha casa, do meu corpo, de meu pensamento. Na força
de minha decisão, talvez no salto de minha transgressão.
Se eu aceito a idéia de que tudo se encerra quando acaba a
juventude, minha possibilidade de ser alguém válido diminui a cada ano. Essa perspectiva
produz inércia e desperdício de talentos que poderiam ser cultivados até o fim,
sem importar a idade.




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